Quando a Alice nasceu, a preocupação com o banheiro público
tomou proporções estratosféricas na minha vida.

Até então, de tanto minha mãe perguntar “já fizeram xixi?”, eu fazia tudo em casa. Era raro quando eu precisava usar um banheiro. Mas precisando, eu fazia xixi onde dava. Tem banheiro limpo? Melhor. Mas quem frequentou show na Pedreira (lugar de shows em Curitiba que realmente era uma ex-Pedreira) na década de 90 sabe que na hora H qualquer grama serve.

Em resumo, meu lema era “tente não precisar”.

Mas quando você engravida, não tem muito o que fazer. O número de visitas ao banheiro aumenta muito. Tem gente que não entende a necessidade da grávida ir ao banheiro e faz cara feia ainda.

E foi assim que eu conheci tudo quanto é WC que você possa imaginar. Vomitei até no banheiro do antigo Maracanã (imagino que muitos já fizeram isso, mas foi super especial pra mim).

E o tempo foi passando e eu comecei a ficar exigente, reparar se é limpo, se é espaçoso, se tem trocador, se é fedorento, se o lixo não está transbordando …

E pense que eu fiquei grávida em 2009, quando a H1N1 explodiu em Curitiba. Me deram licença na Universidade e eu lembro de lavar as mãos pra tudo e carregar álcool em gel na bolsa, coisa que até então eu não fazia.

Em 2010 nasceu uma Alice que ninguém podia encostar se não estivesse desinfetado. Minha fantasia secreta era morar em um lugar que, após a porta, tivesse uma câmara desinfetadora 😆 . Passei a frequentar lugares que tivessem um banheiro limpo, com trocador, com estrutura. E logo estava confinada nos shoppings.

Pode acontecer com qualquer um.

Hoje ela tem sete anos e ainda precisa do banheiro, dependendo do tempo que a gente fica fora. Faz parte. A gente entra em uns banheiros e ela diz “nossa, que fedor!”. A gente se olha e faz uma careta. É a vida avisando pra ela “se prepara que você ainda vai ver coisa pior”.

E aos poucos minha relação com o banheiro vai voltando ao normal. Redução no número de visitas.
Não vou sentir falta.

Hoje sou eu que pergunto antes de sair “já fez xixi?”. E ela faz uma cara feia e vai pro banheiro resmungando “que saco isso!”

Adriana Tozzi
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Eu sou Adriana Tozzi, curitibana, professora, engenheira, cantora de karaokê e mãe da melhor pessoa que eu já conheci ❤.

5 Comments

  1. Não sou mãe! Mas sendo mulher desde criança escutamos de nossa mães “não encosta no vaso!”… e lá vai nos ter que nos equilibrar.. segurar a bolsa.. o casaco e as vezes tb a porta.. td isso SEM ENCOSTAR NO VASO.. somos malabaristas por natureza!!

  2. Por aqui estou começando a primeira maratona do banheiro… Valentina está com 3 anos e já saiu da fralda no período do dia… Então antes de sair é “vai fazer xixi!” É essa mesma cara hahahaha pior que o segundo tem um ano ainda, então a minha vai se estender por uns bons anos ainda! Hahahaha mas te entendo

  3. Eu tbm sempre faço xixi em casa pra evitar usar banheiros que eu não sei como são! 😬😘

  4. Meu mais velho, que tem 4 anos, é um menino, então é mais prático. Às vezes optamos pela árvore ao invés do banheiro imundo. Agora minha bebê tem 4 meses e acho que menina a dificuldade é maior. Veremos!!

  5. Hahahahahahah e todo um malabarismo precoce para não encostar no vaso DE JEITO NENHUM!
    muito bom!

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