Logo quando eu comecei a lecionar, meu coordenador decidiu fazer uma pesquisa: Por que existem tão poucas meninas fazendo engenharia?

Confesso que a pergunta me incomodava tanto quanto não saber o motivo. Seria mesmo um problema o fato de poucas mulheres escolherem a área de exatas? Não seria natural que algumas meninas se sentissem inclinadas a fazer engenharia e outras não?

Anos depois, meu pai acabou publicando um artigo sobre este tema no qual participei com dúvidas. Ele afirmava: precisamos de mais mulheres na engenharia.

Bem, ele estava certo.

Num mundo onde na maioria dos países a população de homens e mulheres é equilibrada – o número de mulheres no Brasil é superior ao de homens, mas em países como Emirados Árabes e Qatar, o número de meninos é mais que o dobro do número de meninas – por que algumas profissões ainda são rotuladas como “masculinas” ou “femininas”?

66% das meninas no colegial gostam de matemática e ciências. Mas apenas 18% de todos os formandos em engenharia são mulheres.

Talvez resposta para esta pergunta esteja lá na infância, onde ainda nem passa pela cabeça da maioria dos indivíduos o que eles vão ser quando crescerem. Já ouvi gente dizendo que nunca daria uma boneca pro filho brincar, porque “dai já é demais” e fiquei indignada, confesso, porque é exatamente assim que moldamos nossa sociedade, que mais aprisiona do que liberta, distribuindo carrinhos e bonecas desde cedo, dividindo o mundo azul do mundo rosa, dizendo que engenharia é coisa de menino enquanto arquitetura é coisa de menina.

A boa notícia é que muita coisa já mudou do fim do século passado pra cá. Amém. Percebo que cada vez mais os pais estimulam seus filhos a pensarem “fora da caixa”, a exercerem sua criatividade da maneira que quiserem. Hoje, muitas famílias incentivam seus meninos a brincarem com panelas e suas filhas a brincarem de carrinho.

E antes que alguém se exalte, não existe nada de mal em uma menina brincar de boneca se ela realmente gosta disso, mas é importante explicar que existem opções, que ela pode ser mãe, dona de casa, médica ou engenheira, e que cabe a ela escolher o rumo da própria vida.

Se todos somos diferentes – e eu lembro do meu pai dizendo que não existe nenhuma pessoa com digital igual neste mundo – porque deveríamos seguir todos um mesmo padrão de vida e de profissão? O sexo biológico não tem relação alguma com nosso papel na sociedade. Mulheres geram bebês, mas homens tem tanta capacidade de cuidarem deles quanto as mães. E assim vai.

Quanto às engenheiras, conheço várias, admiráveis, que ousaram ingressar neste universo masculino mesmo escutando que lugar de mulher é na cozinha. Que ignoraram as piadas machistas e se mostraram líderes de equipe bem preparadas, seja em cima do salto ou calçando botas de borracha.

Quem escolhe o rumo da sua vida é você, não interessa qual seja. Acredite nos seus talentos e inspire as crianças a acreditarem nos delas.

Talvez assim tenhamos mais engenheiras no futuro. Eu espero.

E fique a vontade pra comentar aqui sobre as suas experiências, adoramos histórias da vida real.
Bêjo pra todos e até semana que vem! ♥

Adriana Tozzi
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Eu sou Adriana Tozzi, curitibana, professora, engenheira, cantora de karaokê e mãe da melhor pessoa que eu já conheci ❤.

6 Comments

  1. Suzely Soares Reply

    Excelente! Quando entrei na engenharia, nem sabia dessa de que não era pra mulher, aí fui lá e fiz. E acho que sigo fazendo isso! Hoje sou conselheira, já fui presidente de entidade, defendo a causa da engenharia, sou mãe de dois meninos que brincam de boneca se quiserem sim, sou empresária e com certeza “sou mais macho que muito homem”…

  2. Adriana Tozzi
    Adriana Tozzi Reply

    👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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