A gente ama demonizar a TPM, o ciclo menstural e as cólicas. São anos e gerações pensando que menstruar é horrível, que ñ tem como superar e que vamos carregar esse “peso” até a menopausa… Mas será que não está na hora de ressignificar tudo isso?

Eu sempre tive ciclos terríveis e depois que parei o anticoncepcional, os sintomas principais pioraram mais ainda (tirando a libido, claro he he he). Carreguei o “carma do fluxo intenso” até os 30, quando resolvi me aprofundar no assunto e achar uma alternativa PSICOLÓGICA para entender esse processo, até já fiz uma tirona sobre isso (clique aqui pra ver). Encarar as minhas fases dessa maneira ajudou muito a me libertar da culpa inconsciente por “ser mulher e menstruar”.

Ao invés de abominar tudo que sentia,
me abracei e acolhi minhas dores.

Porém, sempre que toco nesse assunto e tento mostrar um outro lado da situação, tem uma mulherada que cai de pau “porque É IMPOSSÍVEL olhar desse outro jeito, porque dói, porque tudo”… Eu sei, entendo perfeitamente, vivo isso todo mês. E claro que em casos extremos SEMPRE devemos procurar um médico especializado, porém, o que eu estou falando aqui, é algo alternativo e ligado mais ao psicológico mesmo.

O fato é que a TPM pode ser benéfica porque ela expõe na nossa cara todos os problemas que antes a gente ignorava e varria tudo pra debaixo do “tapete das emoções que ñ querem ser trabalhadas no momento”. Claro que eu estou falando de situações mais sérias que mereciam mais da nossa atenção e não uma crise sem antecedentes. O problema é que na maioria das vezes, até fazemos a leitura de algo que está nos incomodando, porém acabamos descontando em coisas NADA VÊ, tipo: nos amigos, numa caixa de chocolate, no trabalho… Enfim.

A danada, se vocês repararem, nos deixa mais atenta e esperta! #fogonoszóio É difícil alguém dar um nó em mim numa TPM, eu farejo problema de longe. Que mulher que não?! Presto atenção em coisas que antes passariam despercebidas, identifico problemas nos outros que me fazem mal e eu fingia que não via por conveniência (mas uma vez, um cuidado especial aqui em ñ culpar o mundo ao invés de olhar pro IMBIGO, né?).

É interessante prestar atenção nos nossos sentimentos nesse momento que estamos mais sensíveis, e passar um filtro BEM MADURO e CONSCIENTE nas situações em que a nossa intuição tenta falar com a gente. Por exemplo, quando uma crise bater você pode se perguntar:

  • Por que eu estou me sentindo desconfortável com nesse momento?
  • Por que estou me sentindo mal na companhia dessa pessoa?
  • Por que esse contexto está me deixando tão irritada?
  • O que minha intuição está querendo me falar?

Perguntas assim já ativam o nosso lado mais sensato e nos levam pra origem do pensamento ou do desconforto. Esse movimento de analisar o contexto, tira o problema daquele lugar escuro, cheio de raiva e coloca ele na luz. Ali ele pode ser visto como algo que merece nosso cuidado… Deixa de ser um impulso descontrolado e começa ganhar um sentido na nossa vida, é como se ele nos falasse:

“- Amadinha, eu tô há tempos tentando te mandar a real e você simplesmente me ignora! Larga essa barra de chocolate e me escuta por  5 minutinhos?!”

A força da TPM é tanta que ela dá essa coragem pra gente, de olhar pra dentro, de enfrentar a treta! Ela tira esse véu do mundo ao nosso redor e nos entrega os sentimentos e situações bem as claras. Talvez seja por isso que a gente fica mais nervosa ainda? Por ver tudo aquilo que estávamos ignorando? Hmmm, não sei. Só sei que a TPM usada como ferramenta de sabedoria e intuição pode nos libertar de muita coisa.

Que tal a gente mudar o foco que todo mundo ensinou pra gente sobre ela ser algo ruim e descontrolada e colocá-la como um momento de cuidado sobre si mesma? Como se ela fosse um terceiro olho que nos mostra além do que estamos vendo?

É um tanto quanto revolucionário esse movimento! Imagina, o mundo esperando o nosso descontrole e a gente entregando resultados positivos!? Imagina isso usado no trabalho, com amigos, em relacionamentos (principalmente os abusivos)? Ninguém mais iria nos passar a perna. UOWWW Isso sim é quebrar paradigmas!

Ousadamente, eu chamo essa movimento de acolhimento ao ciclo menstrual de FEMINISMO INTERNO, ou seja, é usar algo que acontece dentro da gente todo mês, como instrumento empoderador, no sentido de nos dar força para falar o que não estamos gostando e ver o que não queremos. Por toda uma vida fomos “ensinadas” a fechar os olhos para o que nos faz mal e não falar o que nos incomoda, é chegada a hora de ressignificar todos esses sentimentos perpetuados pela sociedade e até por nós mesmas, e se abrir pra uma nova era de auto-cuidado.

Dá vontade de ver quais descobertas ela pode me trazer no próximo ciclo. Sem demônios, mas com muito aprendizado! Tente fazer esse exercício consigo mesma, traga esses sentimentos para luz. Use-a com parcimônia e cuidado, ela é um veneno usada sozinha, mas se você misturar com um pouco de amor próprio, ela pode virar um remédio! Vai que a bichinha te ajuda na faxina mental também?! Eu sei que tudo isso não vai acontecer de um ciclo pra outro, mas tenho certeza que após ler esse texto você vai se ver com outros olhos, ou melhor, vai VER com MILHARES de olhos. 

Acho que está super na hora de tirar esse olhar infantil sobre a TPM e enfrentar ela como Mulheres que somos.

Eu quero quebrar paradigmas e vocês?


Dicas de conteúdos pra ajudar você nessa busca:

  • Livro Tenda Vermelha – Anita Diamant – Tem série no Netflix, mas a parte mais interessante eles ñ mostram.
  • Livro Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estes
  • Podcast “Talvez Seja Isso” – da Mariana e da Bárbara onde elas analisam cada capítulo do “Mulheres que Correm com os Lobos” e é um dos meus podcasts favoritos dos últimos tempos! LINK AQUI
  • A Mariana que é uma das meninas que faz esse podcast me indicou esse vídeo e é maravilhoso:

Pedagoga Menstrual

DOERS: a única pedagoga menstrual que existe.Via PlayGround Do

Posted by PlayGround BR on Thursday, October 26, 2017

As ilustras em aquarela foram criadas especialmente para esse post 🙂

2 Comments

  1. Realmente é o momento que preciso aceitar que viro uma feminista com uma faca bem afiada na mão. E gosto muito disso. Dois momentos distintos, um, que você tem toda a razão quando diz para parar e refletir o que realmente incomoda e o outro onde uma caixa de chocolate ajuda mesmo. Mas nunca senti culpa, mas sim acreditar ser um saco ser mulher e sofrer todo mês, porque sofro mesmo. Já aceitei que não há remédio, bolsa de água quente, yoga, que faça parar minha dor. Me sinto doente no dia em que menstruo. Hoje em dia, é um dia de folga. sem culpa.

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