Eis que um amigo indicou uma palestra, um TED Talk, com o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi. Tratava do Estado de Fluxo.

Mihaly realizou várias entrevistas para constatar que, basicamente, após atingir um valor de X dólares ou reais ou pesos, dependendo de onde a pessoa vive – o que inclui mais um monte de variáveis para compor a ideia – este seria então o valor necessário para fazer esta pessoa feliz. As pesquisas evidenciaram que após a II Guerra, muitos que haviam progredido financeiramente não haviam alterado seu grau de felicidade, isto é, ter mais dinheiro não havia deixado nenhum dos entrevistados mais feliz.

Seguindo esta mesma linha, ele apresentou outra série de entrevistas, desta vez com artistas, compositores, pessoas capazes de criar e que, enquanto criavam, sentiam o êxtase da felicidade já que a criação fluía delas naturalmente. A sensação relatada era de que estavam em uma realidade alternativa. Este seria o Estado de fluxo. A felicidade só poderia ser alcançada por alguém que atingisse este Estado, que se manifesta de maneira diferente para cada indivíduo.

Importante salientar aqui que “fluir” não é tarefa fácil e requer muito conhecimento. O autor afirma que as pessoas precisam de ao menos 10 anos de estudo em um tema para que a mente consiga produzir inovação – e aqui não estamos considerando os gênios, ok?

Independente disso, Ivana manda avisar que não se iludam: criar exige muita inspiração, muita paciência e muita força de vontade! Ivana falando: é, meu estado de flow é quando faço tirinha e ele dura 1h/30min e o restante é buracracia hahaha Não tem nada de romântico não.

Com a proximidade dos quarenta, tenho questionado muito sobre qual o meu propósito de vida. Automaticamente, comecei a pensar em quais ocasiões em me sentia fluindo, pois se um compositor escolhe brilhantemente notas para criar um arranjo que até então não existia, cada um deve  possuir uma maneira de fluir, de sentir felicidade plena. Né? Ou não?


Psicólogos, me ajudem!


Eu começo a acreditar que sim. Uma grande amiga professora me disse uma vez: “Quando eu estou em sala, eu sou diferente do que quando fora dela. Eu sou mais feliz.” E se começarmos a prestar atenção, talvez a maioria de nós já tenha passado por experiências deste tipo, mas como se conectar com esse eu, tão poderoso, que nos transporta para outra realidade, enquanto nos ocupamos diariamente com trabalhos que por muitas vezes não tem relação alguma com quem somos?

Um autor que tenho lido, Klaus Schwab, fundador e Presidente Executivo do Fórum Econômico Mundial, em seu livro “A quarta revolução industrial” apresenta os desafios para este novo século, um cenário de ruptura resultado das novidades tecnológicas como a Inteligência Artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia, dentre outras, todas elas inovações que irão alterar profundamente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Quase tudo que conhecemos hoje como trabalho se tornará obsoleto. Governos e Instituições serão reformulados, assim como os sistemas de educação, saúde e de transportes. E numa velocidade muito maior do que imaginamos.

E como conectar o propósito com este cenário ainda tão desconhecido? No meu entendimento, encontrar seu Estado de Fluxo pode transformar não apenas uma vida, mas várias. O mundo, dividido em bilhões de micro redes que relacionam pessoas diariamente (importante salientar que o autor aponta que até 2025 todos teremos internet gratuita bancada pelos meios publicitários), pode sim ser um lugar melhor.

Talvez todas estas mudanças pelas quais já estamos passando, como violência, desempregos em massa e desastres naturais, não sejam afinal o fim do mundo, mas sim um recomeço, uma oportunidade para que cada um saia da sua zona de conforto e encontre, nem que seja nas coisas mais simples, seu modo de ser feliz.

No meu caso, lá no inconsciente, a palavra “propósito” fica pulsando, como uma alerta. Talvez um lembrete de que existe um porquê da minha existência.


E você, o que acha que é propósito e qual é o seu Estado de Flow?!

Adriana Tozzi
Author

Eu sou Adriana Tozzi, curitibana, professora, engenheira, cantora de karaokê e mãe da melhor pessoa que eu já conheci ❤.

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