Como a maioria dos brasileiros, minha origem é uma mistureba. No meu caso, parte portuguesa, parte índia, parte italiana e parte espanhola. Acabei herdando da parte indígena o cabelo preto, liso e fino e escuto até hoje os outros dizerem o quão sortuda eu sou por ter um cabelo tão fácil de lidar.

Mas como toda mulher, nunca valorizei a própria cabeleira e queria mesmo era ter o cabelo da Gal Costa, volumoso, aquela aparência selvagem e cheia de personalidade.

Com 14 anos inventei de fazer um  permanente mais fraco, chamavam de “suporte” na época, e não ficou do jeito que eu queria. E eu via as mulheres lindas com seus cabelos armados e pensava “nunca serei!”.

Quando descobri que estava grávida de uma menina foi inevitável que eu e minha mãe conversássemos sobre isso, já que eu nasci muito cabeluda, e confabulávamos se com a Alice seria a mesma coisa.

Após muita azia nasceu uma garotinha com muito cabelo, espetado e bem preto, muito parecido com o meu. As pessoas que não conheciam a minha família perguntavam se ela era filha de japonês e outras já alertavam que o cabelo dela iria cair todo, mas não caiu. Em compensação o meu saia em chumaços no banho, após o banho, durante o dia e no travesseiro.

Eu perdi muito cabelo após o nascimento da Alice e, passado o desespero, eles voltaram a nascer com outra textura. Nem parecia o mesmo cabelo. Na nuca, ele foi nascendo grosso e ficou algo muito estranho, uma cabeça com dois tipos de fios: liso na superfície e enrolado na raiz. Minha opção foi aproveitar o volume e comprar um babyliss para modelar. E assim eu fiquei crespa durante um tempo. 

Foi uma fase linda essa, eu de cabelo enrolado. As pessoas perguntavam sobre os cachos e eu respondia “então, tá nascendo enrolado, acredita?”. E ninguém acreditava. Talvez eu quisesse tanto que o cabelo mudasse após a gravidez que por um tempo eu consegui manter isso, mas conforme cresciam, os fios foram pesando, os cachos não se mantinham e eu fiquei com um look confuso, provavelmente reflexo da maneira que eu me sentia após a gravidez: Sem definição.

Eu olho fotos daquela época e não lembro de nada, como se não tivesse estado lá. Tudo era tão corrido e o meu cabelo acabou virando um coque, um preso de qualquer jeito.

Enfim, o cabelo voltou a ser liso.

E nesta busca por identidade, eu aceitei o preto fino e escorrido. Encarnei a índia de uma vez por todas e decidi fazer as pazes com os meus fios. Tem funcionado.

Tempos atrás me atrevi a fazer mechas, já que apontaram os primeiros brancos, mas essa é uma outra discussão (brancos: pintar ou manter?)

Quanto a Alice?

Nasceu com o cabelo preto e liso mas com o tempo está ficando castanho, parecido com o do pai. Óbvio que eu acho o cabelo dela lindo mas a história se repete e ela reclama. Quer que eu passe o babyliss.

Mais uma que nasceu de cabelo liso mas queria mesmo era ter o cabelo igual ao da profe de inglês: todo enrolado.   

Adriana Tozzi
Author

Eu sou Adriana Tozzi, curitibana, professora, engenheira, cantora de karaokê e mãe da melhor pessoa que eu já conheci ❤.

1 Comment

  1. Que linda história de seu cabelo! É tão raro ouvir que as pessoas querem deixar o liso pelo cacheado, pois muitos não o valorizam. Acho lindo, volume, cachos, perfeito. Que misturinha!
    Olha só, tal mãe tal filha! Hahah,
    Adorei o post Adriana! Beijos
    Through My Eyes

Write A Comment