Desde o dia que minha filha nasceu, meu mundo mudou. Totalmente.
E a sensação era de que, com o nascimento dela, eu havia entrado num casulo por tempo indeterminado.


O cabelo ficou estranho. Caiu muito e depois cresceu todo espetado. Um horror! Minha pele ficou feia e as roupas já não tinham o mesmo caimento, independente do meu corpo estar ou não modificado: era minha imagem que ficava estranha no espelho. E vez ou outra me dava uma bobeira e eu chorava pensando “quem sou eu?”

É importante enfatizar aqui que eu não planejei minha gravidez.

Estava tudo caminhando perfeitamente na minha vida até que minha suspeita de gastrite resultou em “parabéns, você está grávida!”. E após recebermos a notícia, ficamos assustados. Ele dizia: “você já imaginou que daqui um tempo vai ter outra pessoa morando com a gente?”. E não, eu não imaginava. Estava tudo tão organizado, as tarefas da casa tão bem distribuídas e pensar que teríamos um bebê me deixava um pouco assustada.

As semanas foram passando e eu fui tendo sensações “meu Deus, tem alguém na minha barriga”. E vivia com a mão sobre ela, involuntariamente. Criei um tipo de conexão com este gesto. Parei de gostar de algumas comidas e até de algumas músicas neste processo.

E então ela veio. No dia que ela quis.

Marquei uma cesárea para 08 de março de 2010. “Alice vai nascer no Dia Internacional da Mulher” pensei. Mas a verdade é que eu não aguentava mais o sobrepeso, o cansaço e as noites mal dormidas.
E com todas as lembrancinhas prontas com a data programada, eu entrei em trabalho de parto ao meio dia do dia 06 e ela nasceu de cesárea as 3h30 do dia 07. A coisinha mais pequena e frágil do mundo, minha Alice.

Chorava, reclamava e mamava.

E nesta correria de atender o bebe, eu fui esquecendo de mim. Aos poucos, eu me perdi naquela confusão, naquele sutiã de amamentação, naquela cinta modeladora, naquele cabelo preso de qualquer jeito com elástico verde fluorescente.  Aquela loucura temporária virou uma loucura constante, e eu fui me adaptando, até que me fez mal.

Não é fácil entender que amar o filho não significa deixar de se amar.
E tem sido muita descoberta desde então. Saber que eu posso sim ser mãe, mulher, profissional, tudo ao mesmo tempo. Que é corrido mas vale cada segundo. Que na maternidade a gente encontra gente malvada e gente legal mas que no fim das contas o que importa mesmo é fazer as pazes consigo mesma.

Existe um momento “casulo” muito importante, em que a gente se recolhe. Mas chega um momento pra toda mãe em que é preciso finalizar esta metamorfose.

E é sobre isso que eu vou escrever neste espaço do Dilemas, sobre estes questionamentos da vida feminina após o nascimento do filho, sobre as dificuldades que eu encontro em lidar com tanta novidade e como eu faço pra me divertir e evoluir como pessoa dentro desta aventura, me esforçando pra frear a ansiedade e vivendo um dia de cada vez. Quem sabe você não está passando pela mesma coisa?

Adriana Tozzi
Author

Eu sou Adriana Tozzi, curitibana, professora, engenheira, cantora de karaokê e mãe da melhor pessoa que eu já conheci ❤.

40 Comments

  1. Nathalia Sevciuc Reply

    Amei, ainda não sou mãe. Acho que sou um pouco egoísta ainda pra isso, mas não vejo a hora. Sei a mãe incrível que você é e quero um pouco dessas experiências para me ajudar a ser uma boa mãe!!

    Ta sensacional o post Adri parabéns!

    • Adriana

      Oi Nathalia! Que bom que você gostou!!! Vai ter bastante história pra contar!!!
      Beijos e obrigada por comentar aqui!!!
      E manda beijo pro Allan!!!
      Vocês são demais!!!

  2. Sou mãe de uma bebê de 9 meses. Me identifico totalmente. Minha baby foi muito planejada, mas mesmo assim me vi desesperada quando ela nasceu. Nada te prepara pra mudança radical, nada….Amei a analogia do casulo, é exatamente isso! Acho que vou amar essa coluna 😉

    • Adriana

      Então Karla, bem isso!
      A gente se descobre uma pessoa nova!
      Espero que goste dos textos!!!
      Beijos

  3. Fer Fonseca Reply

    Gente, que lindo. <3
    Me identifiquei, me emocionei e quero mais.

  4. Marcos Tozzi Reply

    Muito emocionante o relato, minha querida filha. Você é muito especial.

  5. Vivian Artigas Reply

    Parabéns Adriana. Sucesso! Disse tudo, como lembrei de cada momento do dia da descoberta da primeira gravidez, também não planejada aos 18 anos….
    Beijocas

  6. marcelle cerutti Reply

    Obrigada Adri! Palavras que soam como um abraço. Estava ansiosa por essa coluna MATERNIDADE! Meu bebê tem 5 meses e tô tentando sair desse casulo, mas tenho voltado nele com frequência porque o mundo lá fora tá em outro ritmo e muitas vezes me assusto com o fato de não saber mais quem eu sou nesse mundão, além de mãe. Acho que o tempo será um bom aliado meu. enquanto isso eu continuo nas tentativas e redescobertas.

    • Adriana

      Oi Marcele,
      Eu tenho tentado aproveitar tudo que eu posso da maternidade, inclusive estes momentos em que não sei quem sou. Eu lembro de chorar, ficar triste, e as pessoas dizerem pra eu pensar em coisas felizes que passava. Mas não passou pra mim, e chegou um ponto em que aceitei a melancolia, as dúvidas, porque estou num processo, né? Pra me descobrir preciso entender o que me entristece, assim como o que me deixa feliz. Hoje a Alice está com sete anos e as coisas já estão bem mais claras. Vamos indo, um dia de cada vez!!
      Beijos

  7. Amei, estou c um bebe de 8 meses e ainda estou nesse elástico de cabelo de qualquer jeito.. qdo saio disso? Qdo vou fazer minhas luzes novamente? 😬 To tão largada.. rs

    • Adriana

      Ahahahahaha …
      Né?
      Te entendo, às vezes é desesperador!!!
      Mas passa. Logo passa!
      Beijos

  8. Silvete Tozzi Reply

    Que linda sua iniciativa de criar esse espaço pra compartilhar experiências vividas como mãe.. trocar idéias é a melhor forma de aprender .. parabéns filha.. bjo grande..

  9. Anelise Gerceski Reply

    Você é a mãe mais divertida que eu já conheci….tanto que meu filho ficou hipnotizado por você ! Vou acompanhar ansiosa seus textos pois sei que você e a Alice tem mil histórias para contar ainda mais com seu jeito encantador de descrevê-las! Sucesso Adri!

  10. Larissa Cristina Villa Reply

    Não existe uma maneira melhor de saber como uma mãe se sente do que sendo! Minhas duas gestações foram planejadas e mesmo assim o casulo é formado. E é difícil virar borboleta! As vezes viramos mariposas! Kkkkk mas a maternidade é bem assim mesmo Adri! Adorei o texto!

    • Adriana

      Obrigada Lari, bem importante pra mim saber que minhas amigas gostaram!!!! Beijo

  11. Amei, Adri. Aprendi com experiências alheias que não existe perfeição na arte de ser mãe. Então esse é um fardo pra ser eliminado. Beijos!

    • Adriana

      Né???
      Mas te digo que é mais fácil entender isso quando você está de fora. Quando é com você, rola tipo uma “cegueira” mesmo! E a gente tem que passar por isso! Faz parte!

  12. Adorei o texto.
    Tenho um arroz (apelido carinhoso) morando em mim. Ainda não me acostumei com a ideia. Minha vida tava uma bagunça organizada, agora “risca o organizada”.
    Espero ir ajeitando tudo e me adaptando melhor pra ser uma pessoa melhor, quando essx bebê nascer 😁

    • Adriana

      Aí Isabela,
      A vida vira uma confusão mesmo!
      Eu amei ficar grávida, mesmo não tendo planejado! Logo vou publicar um texto sobre isso, sobre como foi a gestação da Alice. Mas te digo algo: a gente só descobre a leoa que existe em nós quando passa por tudo isso. Entao vai vivendo a sua história, a história do seu arroz, que vai ser diferente de todas as outras. Acredito que este arroz aí deve ter um objetivo – a nós, basta aceitar e aprender!!!
      Beijos e se cuida.

  13. Sou mãe, de dois… uma de 3 anos e um que vai fazer 1 agora dia 28/07… quando eu estava saindo do casulo, me fechei novamente, e pelo menos cortei os cabelos pra deixar de usar o elástico fluorescente… Foi a única solução de todos os “problemas” que encontrei! Ainda me sinto perdida e frustada… Faço faculdade de pedagogia, estou desempregada e tentando me recolocar no mercado de trabalho, não aguento mais ser só mãe! É exaustivo, e me perdi de mim mesma. É triste admitir isso, e a única pessoa que sabe sobre isso além de vocês agora é minha melhor amiga… pois me sinto culpada de estar cansada dessa tarefa que é tão maravilhosa exercer! 😔

    • Adriana

      Oi Juliana,

      Eu me senti muito assim.
      São várias coisas que aconteceram comigo (longa história) mas o ápice foi ter que ir na escola porque minha filha tinha chutado a professora. Já estava me sentindo um lixo e aquela situação foi super difícil. Comecei a fazer terapia de 15 em 15 dias com uma psico-pedagoga.
      Foi o que me salvou.
      Não estou dizendo que seja a solução pra tudo, ainda mais no seu caso que está desempregada e não vai poder arcar com os custos de uma terapia, mas falar ajuda muuuuuito.
      Então reserva um tempo pra esta sua melhor amiga, sabe? Arranja um jeito de vocês se verem, conversarem … porque quando está tudo meio nublado, a melhor coisa é falar, falar e falar …
      Tua melhor amiga não vai te julgar!!
      Na verdade, ninguém pode te julgar. Faz as pazes consigo mesma e toca o barco, Ju!!!!

      Beijos

  14. Ahhh, Adri!
    Eu lembro do SMS no celular ainda analógico, cedo da manhã, avisando “Alice chegou”.
    Amo ver você mãe, e amo Alice.

  15. Parabéns amiga querida!! Lindas palavras onde a gente se identifica em muitas situações.. e vamos vivendo né.. acertando, errando… nessa função de mãe!! Amei.. beijos!! 🙂

    • Adriana

      Clara,

      A-d-o-r-e-i seu texto.
      Ri muito.
      Impossível não me identificar!!!

      É bem isso, guria.
      Mas passa … tudo passa!
      Lembro que antes da gravidez eu adorava beber vinho. E nunca fui grande bebedora de nada, mas o vinho era um prazer.

      Dai veio a gravidez, nascimento, amamentação e, eis que, uns sete meses depois, eu resolvi beber uma taça de vinho. Coloquei Alice pra dormir, fui pra sala e bebi.

      Fui dormir super bem.
      Lá por duas da manhã ela chorou. Acordei que-bra-da!
      Pensei: porque???? Será que nunca mais eu vou beber vinho?

      Mas hoje eu já bebo normalmente. Ela tem sete anos e já dorme à noite inteira. Às vezes acorda às 9 da manhã. Vai no banheiro sozinha, come sozinha, se veste sozinha …

      É um momento mesmo, este pós gravidez. Que vai durar mais ou menos, dependendo de cada mãe e cada filho.

      Obrigada por ter contribuído aqui!!!

      Beijos

  16. Oi, Adriana!

    Nossa! Adorei o texto! ❤
    Não suporto pessoas dizendo que “a maternidade é linda”, “você vai amar ser mãe”, “é como ter um cachorrinho em casa”.
    Não. Não é.
    Você não vai conseguir fazer uma refeição completa antes do bebê começar a chorar pq ele esta com fome; nao vai mais saber o que é usar uma roupa bonita (mas bem bonita mesmo), pq roupas para mães ou sao bonitas ou sao praticas e confortáveis. Voce vai odiar acordar no meio da madrugada para amamentar e trocar fralda e acordar para trocar a fralda que voce acabou de colocar no neném, pq ele fez coco de novo. Você provavelmente vai ser a deslocada do seu grupo de amigos, pois a maioria deles nao tem filhos e viajam ou estudam ou trabalham ganhando muito dinheiro.
    Ninguem conta essas coisas pra gente quando a gente vira mae. Ninguem diz que voce vai querer desistir no meio do caminho, jogar tudo pro alto e que se dane esse vida.
    Voce so fica, so aguenta, pq tem aquele serzinho maravilhoso que te atormenta e te faz absurdamente feliz.
    Maternidade é uma ambiguidade de sentimentos onde o amor pelo filho sempre vence qualquer coisa.
    Mas nao é lindo o tempo todo. Não é o mar de rosas que dizem ser…
    Aprendi isso a duras penas e hoje posso dizer que sou uma mae realizada.
    Sou mãe de 3 crianças lindas que me fazem muito feliz. Meu amor por eles venceu no fim das contas.

    • Adriana

      Oi Grazi,

      Que bom que curtiu.
      Super difícil mesmo lidar com este sentimento. Acabei escrevendo um pouco sobre isso no próximo post, que vai ao ar na próxima segunda. Esta coisa “ambígua” … sei lá …

      No fim, o amor vence tudo, né???
      E a gente se descobre bem mais forte mesmo!!!

      Beijos 😘

  17. Adorei o texto, principalmente por falar de duas pessoas que amo tanto, minha comadre e Minha afilhada, duas pessoas incríveis que eu admiro muito!! Mal posso esperar pelo próximo post!! 😘😘💖💖

    • Adriana

      Dindaaaaaaaaaaa
      ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️

  18. Poliana Fonseca Reply

    Lindo texto.. Acho que tudo isso acontece mesmo se planejamos a gravidez. As mudanças são tantas e acontecem de forma tão intensa que não temos tempo de ver tudo acontecer, o tempo simplesmente passa! Adoro esse assunto, pois me ajuda a minimizar minha “grande culpa” de ser mãe que trabalha, estuda, tem que cuidar da casa, quando vejo que não estou sozinha nesse universo da maternidade..

    • Adriana

      Poliana,

      Bem isso!!!
      A gente carrega muito peso desnecessário!!! Mas pensa que tudo isso vai te fazer cada vez mais forte! E não podemos nos esquecer pra também podermos ajudar outras mães …

      Beijos

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