Em 2017 a Pixar Disney lançou “Viva – A vida é uma festa(tradução de “COCO”, por motivos óbvios haha), que foi uma linda declaração de amor a cultura mexicana. Não há um ser, vivo ou morto, que saia dos cinemas sem ter chorado litros! haha É tão lindo, tão cheio de detalhes que a Melissa do Blog Viviendo en el México e eu nos reunimos novamente para mostrar todas as curiosidades que você talvez possa ter perdido. E se não viu, sem problemas.. Aqui não contém SPOILERS.

Senti tanta sorte em ver esse filme um ano depois de viver no México! E como contei no post anterior (clica aqui) já estava bem emotiva com ares de despedida quando vi… Mas VOU CONTINUAR falando de coisas do MÉXICO, SIM SENHORES haha E isso também não deixa de ser a nossa homenagem ao país, mostrando tudo pra vocês 🙂

O lindo do filme é que se você reparar, eles estão falando sobre a morte o tempo todo. Assunto que as pessoas tem medo de brincar, rir e celebrar… Diferente dos mexicanos, que se divertem com isso. Acho que essa é a grande mensagem 🙂

Prontos pra viajar comigo nessas referências?! Essa é a parte 1 e logo postaremos a parte 2!

1. Pedro Infante e Jorge Negreti:

Pedro Infante Cruz, de  Mazatlán, Sinaloa, foi um cantor e ator mexicano, um dos ícones da Época de ouro do Cinema Mexicano e um grande representante da música ranchera.

Jorge Alberto Negrete Moreno, de Guanajuato, foi um cantor e ator mexicano cujo apelo pessoal e voz inconfundível o elevaram ao status de mito de música no México. Sem dúvida, suas aparições no cinema e suas relações sentimentais tumultuadas com estrelas bem conhecidas do momento contribuíram para isso.

Presume-se que a personagem de Ernesto de La Cruz foi uma grande homenagem a esses cantores mexicanos.

2. Frida Kahlo e seus macacos:

Frida Kahlo  foi uma pintora mexicana mundialmente conhecida por seus autorretratos de inspiração surrealista e também por suas fotografias. Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, nasceu em Coyoacán, no México, no dia 6 de julho de 1907 e hoje em dia é um dos maiores símbolos da cultura mexicana.

Sua casa de Coyoacán habitava animais exóticos, como macacos-aranha, que desempenharam um papel importante na história de Frida. Em algumas de suas frases, Frida disse que os macacos em suas pinturas eram uma representação das crianças que não poderia ter.

Na animação é muito interessante ver ela como um alma criativa em pleno vapor! Que continua fazendo instalações, mostras, quadros e até a abertura da festa. O fato dos macaquinhos aparecerem todos coloridos se deve a outro motivo, que você vai encontrar no tópico “Alebrijes” aqui do post 🙂

3. Emílio Zapata:

Emiliano Zapata Salazar, de Morelos, foi um dos mais importantes líderes militares e camponeses da Revolução Mexicana e símbolo da resistência camponesa no México. Ele aparece rapidamente em algumas cenas do filme junto com outras personalidades famosas mexicanas.

4. El Santo – Lutador:

Rodolfo Guzmán Huerta foi um lutador de luta livre, ator e herói folclórico mexicano. Mais conhecido nos ringues por “El Santo” e “El Enmascarado de la Plata”, Huerta é considerado um dos mais famosos entre todos os lutadores de wrestling.

Referido por muitos como “o maior esportista mexicano de sempre”, El Santo lutou durante quase cinquenta anos e foi ator por um bom tempo, sendo um herói do folclore do México. Em seus filmes de época lutou com todo o tipo de “coisa” ou monstro; e o engraçado é que até de terno, ele usava máscara, PHYNO. Acho incríveis as artes dos pôsters dessa época! Uma mistura de Zé do Caixão com filme B de terror. Maravilhosos!

O misticismo em torno de sua imagem também foi devido ao fato dele só ter revelado sua verdadeira face pouco antes de falecer... Situação que também o levou a ser até enterrado com a sua famosa máscara prateada. Por isso que no filme, obviamente, ele também aparece usando ela e é um dos convidados VIPS da festa.

5. Dante e Xoloitzcuintle:

Pelado mexicano (do náuatle Xoloitzcuintle) IMPRONUNCIÁVEL HAHAHA é uma raça canina antiga oriunda do México. Desprovido de pelo, como o próprio nome já diz, é popular em seu país de origem, embora também esteja difundido em outras nações da América do Sul e Central. Faz referência a lenda Nahuatl (que será um XOLOITZCUINTLE que nos guiará ao caminho de Mictlán).

Segundo a tradição pré-hispânica, os que morriam eram enterrados juntos a um Xoloitzcuintle, estes seriam guiados ao inframundo (mundo subterrâneo dos Aztecas) pelo cão, que ajudavam eles a cruzar o rio Chiconahuapan, como guias. Inclusive a lenda diz que quem tratasse mal um cachorro em vida, não teria seu guia para atravessar os mundos.

Essa raça de cachorro continua sendo bem comum no México, a própria Frida Kahlo tinha vários deles. Nas ruas você vê muitas pessoas passeando com seu cãozinho pelado hehe ñ a pessoa pelada, o cão, no caso.

6. Os Mariachis

O mariachi não é uma invenção de uma única pessoa, mas o produto de uma cultura mestiça, religião e música que surgiram a partir dos anos 1500. Os historiadores afirmam que em 1533, Fray Juan de Padilla ensinou aos nativos da doutrina cristã de Cocula usando música espanhola. Ao longo dos séculos XVI e XVII, a música espanhola começou a florescer em todo o México e junto com a música nativa, deu lugar a uma mistura de percussão e melodia mestiça que originou o mariachi.

Em algum momento, acreditava-se que a palavra mariachi veio da palavra francesa “mariage” (“para o casamento ou a união”), relacionando o grupo musical com as partes durante a ocupação francesa no oeste do México.
Esta era uma versão bem conhecida, porém foi rejeitada em 1981, quando nos arquivos de uma igreja, foi descoberta uma carta escrita por um padre, onde se queixa do barulho dos “mariachis” e datada de 1848, muito antes da ocupação francesa, o que desmente a origem francesa da palavra. A versão mais precisa e simples é que o termo mariachi foi criado em Cocula, Jalisco no século XVI pelos índios “cocas”, descendentes dos Chimalhuacanos para se referir a “músico ou intérprete de um instrumento”. No entanto, não existe uma versão oficial da origem da palavra, mas parece ser muito mais antigo do que se pensava anteriormente.

No filme, os mariachis ensaiam numa praça onde Miguel é proibido de ir. Na Cidade do México até existe uma praça meio que só pra eles, a Plaza Garibaldi. Geralmente eles são contratados pra festas e casamentos, ou seja, do nada entram e cantam! Engraçado também que eles ficam nas esquinas fazendo propaganda no início da noite, caso alguém queria chamá-los.

E hoje em dia tem até bandas femininas ♥, como a Flor de Toalache, que ganhou o Grammy Latino desse ano como o melhor Álbum de Ranchero. Uhu, girl power!

6. A flor CEMPASUCHIL:

A flor Cempasuchil, conhecida também como a flor de 20 pétalas, por herança dos pré-hispânicos, se utilizavam em Malinalco (cidade com uma grade zona arquelógica) nos rituais de dia de mortos. Nessa região quando alguém morria, os familiares enfeitavam os túmulos com uma florzinha menor e amarela, chamada Tonalxóchitl. Diziam que em seu centro, guardavam o calor dos raios do sol. Os astecas ao verem esse ritual, começaram a decorar suas oferendas com Cempasuchil, maior e mais chamativa, pois era considerada como símbolo de vida e morte, ainda mais com uma lenda de amor em cima da mesma flor.

Além disso, reza a lenda que é essa flor que ilumina e ajuda as almas a voltarem para visitar seus entes queridos e também retornarem de onde vieram na NOITE do DÍA de los Muertos. Por isso que no filme, a ponte que conecta os dois mundos é toda feita dessa florzinha, com um alaranjado bem vibrante… Por isso também é possível ver no filme as pétalas da flor sendo espalhadas e fazendo o caminho até ao altar da família. Não é a coisa mais linda?! E não faz todo sentindo, gente?!

7. As ruas de Guanajuato:

As ruazinhas coloridas e baguncadas da cidade de Guanajuato, de arquitetura tão pitoresca e portas tão bonitas, junto com as casas que estão localizadas no morro, são fielmente retratadas pelos animadores da Pixar. Todas elas enfeitadas com o famoso ¨papel picado mexicano¨. Quem conhece a cidade, logo de cara já identifica.
Boatos que os animadores da Pixar ficaram entre indas e vindas nos pueblos mexicanos por cerca de 2 anos, mas tudo em sigilo… justamente pra conseguir captar toda a magia desses lugares.

Não fica tão longe assim da Cidade do México e vale muito o passeio! A Melissa tem 2 posts sobre essa cidade: clique aqui e aqui.

8. Papel picado Mexicano:

O Papel picado é um produto de papel mexicano e serve para decorar festividades por todo o país, especialmente na região central da República Mexicana.

É um papel de uso decorativo para diferentes celebrações. Geralmente é encontrado enfeitando cidades em feriados nacionais, no Natal e no Dia dos Mortos (também em casamentos, festas de quinze anos e batismos) . Seu uso se distingue nas oferendas aos mortos em 2 de novembro, o que dá aos altares muita cor, alegria e vida.

No filme “Viva!”, eles usam o conceito do  papel algumas vezes como forma pra contar a história. Além disso, eles também foi usado na comunicação do filme nos cinemas, mas com os próprios personagens do filme retratados. Se você for visitar o México é possível encontrar essas bandeirinhas em todos os tamanhos e materiais, como o plástico e são bem baratinhas! Fica a dica de presentes pros amigos!

Se você, como eu, ficou curioso sobre a técnica de criação, a Melissa tem um post sobre: clique aqui.

9. Tamales:

O tamal é um prato de origem indo-americana preparado geralmente com massa de milho recheada com carnes, vegetais, pimentões, frutas, molhos e outros ingredientes. São envolvidos em folhas de vegetais, como espiga de milho ou banana, maguey, abacate, canaque, e até mesmo papel alumínio ou plástico, e cozidos em água ou vapor. São doces ou salgados. Sim, bem semelhantes a nossa Pamonha.

Os tamales tiveram uma grande importância cultural, além de gastronomica, na época dos mexicas. Fray Bernardino de Sahagún descreve algumas variedades de tamales na História Geral das coisas da Nova Espanha no século XVI.

No filme, a Abuelita enche o saco do Miguel pra ele COMER MAIS… como toda avó né hahaha

10. Músicas de Bandas ou Rancheras:

O estilo ranchero é um gênero musical popular e folclórico da música mexicana, amplamente vinculado aos mariachis, mas interpretado em qualquer formato (cantor-guitarrista, dueto, terceto, quarteto, grupo do norte, banda, entre outros).

Os cantores profissionais deste gênero desenvolveram um estilo extremamente emocional e uma de suas características é sustentar uma nota longa no final de um verso. É super popular no México e não é a toa que a maioria das músicas no filme são com esse estilo. DICA: Assitam a versão em espanhol quando puderem 🙂
Acho muito engraçado esse gênero e até comecei a gostar de algumas bandas haha Essas da imagem acima são mais do interior, tem outras que cantam em casamentos, formaturas e tudo quanto é tipo de evento. Outras bandas que não tem o estilo ranchero, mas que eu gosto muito são a  Sonora Santanera. Essa banda tem uns 60 anos de vida e cantou em um festival de música super moderninho na Cidade do México chamado VIVE LATINO e Los Angeles Azules eu queria ter ido no show! AMO essa música aqui: hahaha sério, adoro!

12. A Catrina:

No filme ela aparece muito pouco e bem rápido, e só reconhecemos pelo seu chapéu e vestido. Spoiler → Na hora que o Miguel sai da cova o primeiro personagem que ele vê, é ela!

A história começou com o cartunista José Guadalupe Posada, um famoso caricaturista do século XIX que fez o primeiro crânio mexicano ou catrina, como também são conhecidos. O objetivo desta produção era se divertir com os maus hábitos dos indígenas da época, pois eles tentavam adotar os costumes europeus para se distinguir dos locais, embora na realidade fossem mais nativos do que qualquer povo “mexicano”.

Depois a catrina foi o símbolo com o qual, a classe baixa e média apontava as críticas da classe social composta pelos ricos e privilegiados. A principal mensagem do personagem era dizer que a morte não faz distinção social nenhuma, na hora do vamo vê, todo mundo é iguaaaal haha
Hoje não só simboliza o Dia dos Mortos, como todo o país pelo mundo afora. Quem nunca viu uma caveirinha e lembrou do México? Hoje ela tem desfile, fantasias, roupas e até tatuagem… Eu tenho o conceito que TUDO pode virar uma catrina haha

13. Pueblos Mágicos:


Um Pueblo Mágico é uma cidadezinha que tem atributos simbólicos, lendas, história, fatos transcendentes, vida diária, arquitetura, cores, magia que emana em cada uma de suas manifestações sócio-culturais e que desde 2014 o governo criou um programa de incentivo ao turismo nacional, através de muitos pueblos que levam tal classificação.

A maioria dos brasileiros não conhece muito, mas existem muitos Pueblos Mágicos próximos de Cancun e da Cidade do México que valem a pena conhecer! O sistema é bem organizado, todos os pueblos tem uma logo parecida com a do projeto, site com todas as informações e até canal do YouTube. Ao invés de ficar escrevendo mil coisas, vamos nos expressar com fotos:

Essa imagem acima é do Pueblo de Santa Cecília criado pro filme e provavelmente seria um candidato a ser PUEBLO MÁGICO! Tem tudo: bandeirinhas, estilo colonial, comércio e artesanatos.

A Melissa tem até um verbo pra quando vai passear por esse lugares: PUEBLAR haha Fala: Eu amo PUEBLAR, porque é bem esse mesmo o conceito, você vai caminhando pelas ruas, tirando fotos nas portas lindas, janelas e ruazinhas fofas. 

É engraçado também porque ela até já definiu o COMBO PUEBLO MÁGICO, que é composto de:

14. La llorona:

Muitas vezes a história de La llorona é contata como se fosse um relato sobre Ce.Malinalli ou Malinche, a mulher nativa de quem se diz ter sido tradutora e amante do conquistador espanhol Hernán Cortés. Muitas pessoas culpam ela pela queda do Império Azteca, mas na verdade Malinche foi uma baita diplomata, isso sim! Mas na verdade a história vem bem antes que isso e tem muitas versões.

O louco é que La llorona também é uma música, e particularmente, uma das minhas preferidas! No filme “Viva!” em um determinado momento uma personagem canta ela ♥ E na hora, lembrei de outro filme que trás essa música DUAS VEZES até, o “Frida” com a atuação da Salma Hayek.

“so soy como el chile verde,
llorona, picante pero sabroso!”

Mas, voltando a lenda… todo ano, perto do Dia de Los Muertos eles encenam e recontam a história. A versao escolhida aqui é uma do livro “Mulheres que Correm com o Lobos” da autora mexicana Clarissa Pinkola Estés. Já aviso que é triste e de terror haha

Reza lenda que um rico fidalgo corteja uma mulher pobre, mas muito bonita e ela se apaixona por ele. Juntos eles tem dois filhos, mas não se casam. E um belo dia, ele volta pra casa e diz que vai pra Espanha se casar com uma jovem rica escolhida pela família e que vai levar as duas crianças. 

A jovem mãe fica fora de si, arranha a face do seu esposo e a sua, rasga suas vestes, pega seus filhos e corre pro rio com eles, e os joga na correnteza. As crianças morrem afogadas e a La llorona cai nas margens do rio onde também se afoga e morre.

O fidalgo volta pra espanha e se casa com a mulher rica. A alma de La llorona sobe aos céus e quando chega na porta é avisada que sim, é bem vinda, porém só vai conseguir entrar quando resgatar a alma de seus dois filhos. 

E é por isso que se diz que La llorona é vista vasculhando as margens dos rios, com seus longos cabelos e dedos, aos quaismergulha na água para tentar achá-los, chorando e falando: Mi hijoooos, mi hijoooos. E também é por isso que as crianças vivas não devem se aproximar dos rios depois de anoitecer, porque La llorona pode confundí-las com seus próprios filhos e levá-las embora para sempre.

15. Batas mexicanas:

O bordado mexicano acredito que seja um dos artesanatos mais reconhecidos mundo afora, e que simboliza um México cheio de cores! São vários modelos, cada um caracterizando um estado e sua população indígena, que nos dias de hoje, se mantém graças as vendas para turistas e mexicanos que se orgulham de suas raízes.

São muito famosos os feitos nos estados de Chiapas e Oaxaca.  E quando uma mulher quer homenagear o México, sempre desfila uma bata mexicana muito bem bordada e colorida.

No filme, várias personagens femininas usam as batinhas: A mãe do Miguel, a Bisa, a priminha…

Parte 2  – coming soon!

4 Comments

  1. Thaís Castro Reply

    Ahhh, eu amei essas curiosidades!
    Só pra deixar claro: chorei demais assistindo esse filme liiindo e quero assistir de novo!!! Hahah

  2. O nome da bata é huipil, aqui em Yucatán chamam de hipil, tenho de várias cores kkk

  3. Fantástico, meninas!! Fiquei encantada com o filme e adorei conhecer mais um pouco sobre a cultura mexicana. Obrigada! Ansiosa pela segunda parte. 😘

  4. Giovanna Bellotto Reply

    Meu sonho é conhecer o México!
    Ainda não assisti o filme, mas fiquei com mais vontade 🙂
    Que delícia descobrir tudo isso, estou ansiosa pela segunda parte <3

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